Descanso


E quando chegar a noite e todos estiver dormindo, eu encostarei minha cabeça cansada no travesseiro da consolação e deixarei que meu olhar caminhe por onde ele quiser, longe de mim mesmo, em algum lugar em que eu possa me encontrar.
Serei levado para o lugar que não conheço, mas que mesmo assim me provoca saudades, me afoga os olhos e me aperta o peito. Não me perguntarei para onde estarei indo, deixar-me-ei ser conduzido como que por sábio guia. Nesta noite fria e silenciosa quero apenas o conforto de uma mente tranqüila. Serei grato se o cavaleiro dos sonhos levarem-me para longe do que ficou no passado e sorrirei ao seu lado, sem proferir uma única palavra, alimentando-me da verdade dos horizontes.
Estarei apenas repousando em uma poltrona, com a cabeça amparada por um travesseiro, confidente de pacatas horas, mas minha alma estará a léguas de distância, saltando mundos, brincando com os ventos, comungando com a vida.
Talvez eu me recorde do conforto daqueles braços, da ternura daquele colo, da segurança daquela que é mãe, amante e rainha. Talvez... Mas nesta noite eu estarei perdido em mim mesmo, errando nas infinitas estradas do meu espírito. E se ela está comigo, é em meu profundo ser que encontrarei a sua essência, já parte de mim, na câmara secreta do meu coração. Continuarei seguindo...
Quando os ventos silenciarem e os pássaros meditarem em seus ninhos, pedirei à noite que me conte uma história para dormir. E quando eu for levado na carruagem dos irmãos Sono e Sonho, que ela me beije, depositando em mim todo o carinho que só uma mãe é capaz de dar. E que me cubra com seu manto de estrelas, deixando-me na companhia do amor que sinto por todos aqueles que habitam no mundo no qual descanso.

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