E tu estavas lá...


As mais belas saudações do reino encantado de meu ser. Que te cubra de flores as Ninfas testemunhas do amor que por ti sinto. De uma janela inocente, do alto do templo que habita meu espírito, olha a distância, embriagado pela profundeza dos horizontes. Lá, distante, onde nessas horas posso encontrar-te, sendo sagrado pelo tempo, portando meu estandarte de luz e trevas, em conexão com tua alma.
Quantas vidas se passaram? Por quantas eras passei registrando meus passos? Entre erros e acertos em meu trajeto no circular da roda do carma. Na boa senda ou envolvido pelo vicio do astral baixo. Lá, sempre presente, em diferentes lugares e corpos, em tantas tarefas e aprendizados, sendo peregrino nos corredores do tempo. Vendo passar nos olhos da alma diversos corpos e faces. Ajudando a compor a grande obra dos reis dos astros. E tu estavas lá... Sempre esteve. Entre dores e êxtases, entre risos e lágrimas. Em encontros e desencontros, despedidas e lágrimas, reencontros, celebrações e momentos mágicos. Sim, tu estavas lá. Como mãe, amiga, filha, amante. Mas sempre lá... Pois desde o inicio destes tempos em Gaia fomos predestinados a cumprirmos juntos algo. Quantas feridas já não ajudastes a curar? Quantas também não causamos em parte? Sim, pois muitas foram as faces e casas onde estávamos. E viemos aprendendo casa por casa. Quantas alegrias já não causamos um ao outro? Mesmo naquelas vidas onde nossa missão um com o outro foi apenas a de uma breve troca de olhares... Você se lembra? Ainda posso sentir o cheiro do mar, o vento nos altos montes, o calor dos tantos abraços, a sombra de cada árvore. Posso sentir, abrindo as frestas do enigmático baú do tempo e nos encontrando, desde que éramos átomo do mesmo átomo.
Quantos e quantas já não fomos um dia? E ainda hoje podermos nos encontrar... Dessa vez para cumprir algo do Alto; dessa vez para cumprir algo bem mais intenso que uma troca de olhares. Fico a pensar, do alto de minha colina encantada, sobre as vidas, as missões, as pessoas que de nós se faz parte. Quantos viemos há tanto tempo no mesmo barco? E paro então de pensar, perdido no emaranhado do fio do destino. E junto ao imensurável mistério fico a dar risadas. Achando graça dos desígnios da Alma. Vendo como tudo é costurado. E me deixo então pelos ventos, perdido na distância à divagar sobre o Tudo e o Nada. Entre tantas pessoas como fomos nos encontrar? Com tantas vias como fomos nos achar? Predestinação ou acaso? Missões sagradas. Já tive certeza outrora de que o acaso pertence tão somente aos tolos e fracos. Ninguém está na sua vida por acaso. E uma simples troca de olhares pode ser proposital para uma vida, mesmo que seja este o único papel em uma das tantas investidas da nômade alma. Vai entender o destino... Antes o destino do que o acaso. Apenas sei que do alto de minha colina distante fico a olhar para tudo que sempre fui e sou. E assim agradeço pela bela alma que por tanto tempo vem a me acompanhar. Se hoje amante, esposa, ontem amiga, filha, irmã, mestra, avó, genitora. Mas sempre importante... Pois desde aquela vez, quando em um olhar nos encontramos, lá distante, quando tínhamos outros nomes, tive a certeza da missão e do sagrado encontro. E desde então, enfrentando feras e lapidando egos, viemos seguindo, descobrindo momentos e momentos, cada qual com sua parte, com o papel que lhe cabe. Mas sempre juntos. Mesmo quando das vezes que viemos em lugares tão afastados, falando línguas tão diferentes e em condições totalmente diferenciadas... Pois a nossa união é a da alma.
Portanto, quantas vidas ainda eu tiver que habitar no reino de Gaia, ou em qualquer ponto do enigmático Cosmo, quero poder comungar com tua alma. Seja como filho ou como par sagrado, seja como mestre ou discípulo, seja como amigo ou irmão, seja como homem ou alma... Mas que seja! Que seja eterno e registrado em cada célula do meu sacrário. Que importante seja e assim sagrado. Que seja sempre belo e necessário. Seja qual for a missão, seja qual for a nossa parte...

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