Hórus


Eu vejo carneiros seguindo não sei pra onde, sendo guiados por lobos. Há muito que a mãe foi traída e o pai assumiu o seu trono de força. Porém, o tempo dos ditadores e das correntes da ignorância também se foi. Isis e Osíris deixaram seu filho Hórus e o novo sol aos poucos vai esquentando o corpo frio de outrora. A nova era regida pelo falcão acelera tudo à sua volta, traz renovação e mudança. Porém, continuo a ver carneiros seguindo lobos... Cegos em sua marcha santa para não sei onde, ainda à espera do deus morto, aceitando ordens do rei sem trono. Não enxergam que o tempo é outro. Seguem sem ver o falcão que os sobrevoa. E há ainda quem conte os inocentes carneirinhos para não perder o sono...
Alguns carneiros, os que vão à frente, ainda conseguem ver o horizonte, uma esperança. Mas os que vão atrás apenas conseguem ver o rabo de seus semelhantes. Que belo horizonte...
O falcão grita, mas carneiros são tolos e apenas entendem berros. O falcão sobrevoa, mas carneiros não olham para cima, olham apenas para o rabo dos outros. Se ao menos percebessem o falcão a projetar sua majestosa sombra... Espertos são os lobos que pastoreiam seus tolos. Mas vez por outra um carneiro se dá conta e foge. Alguns percebem o falcão que sobrevoa, outros se cansam de cheirar o rabo dos outros e outros descobrem em seu pastor o perigoso lobo devorador. Mas o lobo sabe que um carneiro ou outro não move montanhas e que sempre haverá muitas cabeças em seu rebanho.
Mas o falcão apenas começou o seu majestoso e triunfante vôo. Ainda engatinha o novo Aeon e suas crianças brincam e se encantam com o novo. Os carneiros logo irão pro paraíso (ou pro açougue) e só reinarão os que alcançarem a proeza do vôo. Mas estamos só começando. Ainda veremos por algum tempo o tapete branco de carneiros tolos seguindo lobos de vermelho que servem a grande besta branca. Enquanto isso as crianças brincam e se encantam com o falcão guerreiro que livre voa por cima dos carneiros que marcham para não sei onde.
O deus-falcão traz em si a esperança do pai e da mãe, trazendo o novo e a marca do andrógino, revelando os mistérios da alquimia santa. Os carneiros híbridos seguem para o holocausto, pois já foi o tempo do autoritarismo, da censura e das barbas longas. Hórus traz o novo. Ele mostra a beleza do vôo e a esperança do vasto horizonte. Mas há quem prefira seguir lobos e cheirar o rabo dos outros...

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