Impressões do agora (Orai e vigiai)

O tempo a dilacerar sonhos, a massacrar os que o aceitam. Roedores em seus círculos viciosos, a girar no nada. Quando se gira no mesmo lugar apenas se consegue ir para baixo. E ai daqueles que cavam seus próprios buracos, pois se não possuíres a virtude das asas para sempre ficarão aprisionados. E quanto mais girar no mesmo lugar mais fundo se precipitará.
O tempo a voar, cada vez mais incessante, levando à loucura, ao desgaste, ao colapso. E não há saída ao menos àqueles que se adaptarem. Já não há mais sentido no relógio, nosso tempo já não é o mesmo, já não temos vinte e quatro horas. E a humanidade acelerada acorda, trabalha, dorme, acorda, trabalha, dorme, acorda, trabalha... Para onde vão todos? Para onde eles seguem? Filas para o nada. Consumismo, propagandas, nervos à flor da pele, desespero, suicidas, futilidade, assassinos, caos... Caos... Silêncio... O lado negro do novo Aeon. Homens-máquina embalados ao som de martelos e bigornas, incessante tic-tac. Avanços tecnológicos, liberação total, banalização, sociedade maquiada, mundo descartável. Mundo cansado dos parasitas de sua superfície. Por favor, tragam um espelho para que possam enxergar suas almas. Está escuro, mas há luz em seus templos de carne. Para onde vai o tempo com tanta pressa? Creio que o “fim do mundo” está para se dar. O que chamam de “fim dos tempos” não seria o “fim do tempo”? E os que permanecerem nesse louco mundo mecânico, ficarão presos no tempo? Escravos cegos e dopados da 3ª dimensão? A Mãe Terra mostra sinais a todo instante: mudanças climáticas, aquecimento global, tragédias... Mas mesmo assim o homem-máquina continua ferindo este santo corpo. Quantas árvores já não tombaram e quantos prédios já não se ergueram? Alma escravizada na jaula-corpo, gritando por socorro. Mas não ouvem; o barulho do mundo-máquina não permite que ouçam. Mas não ouvem; a voz do ego é muito alta. Estão todos ocupados com suas prisões-casas, com suas escravidões-democráticas e alienadas. Estão todos correndo. Estão todos rindo por nada, como hienas a rir das desgraças. Pandemônio a correr solto. O inferno é o homem quem faz, vitima de seus próprios demônios. Não somos nós os anjos decaídos das escrituras sagradas? E já não habitamos o inferno das máquinas? E o céu da alma? Porque tanta dor maquiada? Buscam tanto uma salvação, um céu surreal, mas não fazem nada! Pensam que Deus se resume a um livro e pensam que orar é algo que se dá da boca para fora. Orar é a linguagem da alma! É a vara que pescará teus peixes no grande mar universal que te habita. Pensam que os lugares mais santos são os templos de concreto. Seus corpos são os verdadeiros templos! Confiam em Deus e maldizem a vida, os seus irmãos. Não sabem eles que a “salvação” está em si mesmo e que nós possuímos todas as chaves? Ah, torturadores de Gaia... Pensam controlar e reinar neste plano... Pobres tolos. Pensam governar o mundo enquanto apenas vivem em sua superfície como piolhos em uma cabeça. E não há quem suporte viver por muito tempo com a cabeça empestada...
Mas existem os que negaram a pseudo-realidade e foram fortes para desbravar suas almas. Existem os que ousaram pular no abismo da sabedoria, pois intimamente sabiam possuir asas. E estamos atentos, mais vivos do que nunca. E já somos muitos. Já somos percebidos, perseguidos e odiados. Eis a grande luta dos textos sagrados, onde hordas infernais lutam contra milícias celestiais, onde matéria luta com espírito. De um lado a matéria com toda a sua dor e ilusão tenta seduzir e espalhar seu câncer e do outro lado a luz do espírito a disseminar o puro amor e a grande verdade.
Não vê o ser humano que toda sua vida é repleta de insatisfação? Não vê que está sempre em busca de algo, de um ungüento para suas dores? Não vê que está sempre em busca de outras pessoas para que assim não se sinta tão perdido? Como dói perceber tantos correndo para lugar algum. Corredores em uma esteira sem descanso. Não percebem que se deve mesmo é correr para dentro de si mesmos? Não percebem que não é o externo apenas um vago reflexo de toda beleza interna? Não se percebem? Rumarão anestesiados à gargalhadas para o poço do esquecimento e aniquilação? Não se nós, os despertos, guardiões da chama sagrada, deixarmos. Estamos dispostos, cada qual ao seu posto. E não permitiremos que o mal se propague ainda mais. Pois nenhuma máquina se assemelha a nossas asas, nenhum caminho se assemelha à nossa senda sagrada. Estamos vivos e vigilantes. Estamos por toda a parte, onde menos imaginarem, como faróis, como candeeiros a levar contagiante claridade. Cumprindo nossa missão do Alto, mensageiros das estrelas, protetores de Gaia.

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