O regador de sonhos


Descubro-me
Percebo-me
Em um repentino momento
Sou apresentado a mim mesmo
E desconheço-me
Conhecendo tão bem
Procurei ver Deus
E o encontrei em mim mesmo
Mergulhando em abismo profundo
Voltando vivo do inferno
Sendo anjo demoníaco
E demônio celestial
Encantando e assustando
Chegando e partindo
Me marcando e marcando
Se digo não me entender
É fuga, é engano
Pois sei de tudo que sou
E penso no meu mundo
Mundo habitado pelos que amo
E que esquece que sou feito de sonhos
Amor e ódio em alquímica dança
Levando-me a matar e ver o sangue
Quando eu só queria descanso
Uma árvore, uma montanha, um pouso
Levando-me a trazer apenas lembranças
Seguindo meu destino como sábio-louco
Regando mil flores
Negando a bebida amarga da dor
Antes beberia mel, beberia um corpo
Comungar com o belo que encontro
Mas bem sei que a beleza aprisiona
E o desejo pode ser vicioso
Como um pássaro radioso
Que se condena por suas cores
E pode seu canto se tornar choro
Assim vai seguindo o pássaro
Às vezes águia, às vezes corvo
Ciente do eremita que se esconde
Que está sempre partindo e chegando
Colhendo e plantando
Aonde sua alma aponta
Sempre seguindo
Guardando a lembrança
E regando seus sonhos...

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